Nomes pra fazer sonhar
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Rosi Martins
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Por Rosi Martins
Trincheira Campineira de Tragos e Tiros
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Cristiano Casado
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Amor anormal de um vocativo temporário que me chama à guerra.
Há duas forças opostas dispurando a vitória? O buraco que chama a cair e minha mão que lhe ofereço a sair e andar.
Os revólveres, as metralhadoras, as dinamites ou a bomba atômica... meu medo é muito maior que as armas que um homem pode usar, é pior que destruição em massa.
Fim de semana de ver os tiros que lhe dessem prazer em morrer mais um pouco: letárgico solvente, dissipando flores brancas, cheirosas ou fedidas. Eu não sei!
Eu só sei que eu vi. Vi uma guerra imperceptível a olho nu. Eu me vi no meio de uma trincheira e permaneci inabalável a cada estrondo dos sussuros ou gritos de quem se entrega à batalha por prazer e fraqueza.
Nossos tragos, los tragos de buen amigo... seus tiros e as lembranças do sofá. Em casa ou na rua; naquela praça de guerra, não da paz celestial, eu não via general, tampouco hierarquia. Todos iguais e cada um optando pela marcha de seu rumo.
Eu quero trago, o aceno do lenço branco, e você insistirá com seus tiros? Não seremos inimigos, não seremos semente de discórdia alguma.
Sei que viemos do pó e ao pó voltaremos, mas eu só esperei a poeira baixar e ver que, sobre esta terra, eu quero a paz.
Por Cristiano Casado
Há duas forças opostas dispurando a vitória? O buraco que chama a cair e minha mão que lhe ofereço a sair e andar.
Os revólveres, as metralhadoras, as dinamites ou a bomba atômica... meu medo é muito maior que as armas que um homem pode usar, é pior que destruição em massa.
Fim de semana de ver os tiros que lhe dessem prazer em morrer mais um pouco: letárgico solvente, dissipando flores brancas, cheirosas ou fedidas. Eu não sei!
Eu só sei que eu vi. Vi uma guerra imperceptível a olho nu. Eu me vi no meio de uma trincheira e permaneci inabalável a cada estrondo dos sussuros ou gritos de quem se entrega à batalha por prazer e fraqueza.
Nossos tragos, los tragos de buen amigo... seus tiros e as lembranças do sofá. Em casa ou na rua; naquela praça de guerra, não da paz celestial, eu não via general, tampouco hierarquia. Todos iguais e cada um optando pela marcha de seu rumo.
Eu quero trago, o aceno do lenço branco, e você insistirá com seus tiros? Não seremos inimigos, não seremos semente de discórdia alguma.
Sei que viemos do pó e ao pó voltaremos, mas eu só esperei a poeira baixar e ver que, sobre esta terra, eu quero a paz.
Por Cristiano Casado
Peixeira poética
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Walderes Brito
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Mais adolescentes que eu, Vanuzia e Cristiany, minhas irmãs número 2 e 3, recortaram letras comigo e também prepararam os restos de tinta Acrilex que, sendo para tecido e as únicas disponíveis, foram usadas assim mesmo para colorir a parede mais pública da nossa casa, a jatos de uma daquelas bombas de matar "muriçocas". Por uns dias fui chamado de "Gregório" na cidade e, pelo visto, tá chegando a hora da vizinha com memória de elefante virar "Gilmara de Matos Guerra"...
Por Walderes Brito
Quando manifestações procuram reinventar alegrias
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Cristian Mossi
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Viagem à Esponja
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Walderes Brito
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Não sei brincávamos de roda frequentemente ou se foi uma única vez. Provavelmente foram muitas, porque a música me ficou no cérebro, inclusive com sua letra originalíssima: "Fui na esponja buscar meu chapéu/ azul e branco da cor daquele céu"
Muitos anos e quilômetros depois ouvi crianças de outras paragens relatando viagens à "Espanha" para buscar o mesmo chapéu - o que faz mais sentido do que a minha "esponja", mas não me altera a memória nem os afetos. O resto dos versos não varia. Nem o final: "Cada qual pega o seu par pra não ficar como a vovó"
Eliane, minha irmã mais velha, tinha métodos nada democráticos de organizar a correria: determinava em cochichos ao ouvido de cada um a quem se devia buscar no final da brincadeira, para formar o par e não ser alvo da galhofa geral: "A bênção vovó que ficou no caritó"
Caritó, em pernambuquês, é o lugar dos que não se casam, o que evoca outra vez a licença poética: fora das brincadeiras de roda vovó sempre é alguém que escapou do caritó e formou grande prole... Deixa pra lá! A brincadeira terminava pra mim, quando Eliane cochichava no ouvido de todo mundo e pra mim dizia em alto e bom som: "Você pode ficar com qualquer um"... Era a desgraça: meu turno de vovó-no-caritó... Eu que nunca fui lá um mestre em artes de saber perder, protestava aos prantos, até sair da brincadeira ou a brincadeira sair da roda...
O bom é que o repertória era generoso: cantorias, jogo de pedra, barra-bandeira, boi-de-barro, cawboys de plástico, esconde-esconde, banho de açúde, escalada em pedras, helicóptero de sabugo e penas de galinha, bola de meia, chimbra, pular corda, passar o dedo na chama do candeeiro, fazer conchas com as mãos sobre a luz da lamparida só pra ver o vermelho da luz atravessando as articulações dos dedos, pegar vagalume, rodar tição em brasa pra fazer desenhos de luz no breu da noite... e um sem fim de coisinhas de encher a infância de sabor e a vida de marcas.
Por Walderes Brito
Muitos anos e quilômetros depois ouvi crianças de outras paragens relatando viagens à "Espanha" para buscar o mesmo chapéu - o que faz mais sentido do que a minha "esponja", mas não me altera a memória nem os afetos. O resto dos versos não varia. Nem o final: "Cada qual pega o seu par pra não ficar como a vovó"
Eliane, minha irmã mais velha, tinha métodos nada democráticos de organizar a correria: determinava em cochichos ao ouvido de cada um a quem se devia buscar no final da brincadeira, para formar o par e não ser alvo da galhofa geral: "A bênção vovó que ficou no caritó"
Caritó, em pernambuquês, é o lugar dos que não se casam, o que evoca outra vez a licença poética: fora das brincadeiras de roda vovó sempre é alguém que escapou do caritó e formou grande prole... Deixa pra lá! A brincadeira terminava pra mim, quando Eliane cochichava no ouvido de todo mundo e pra mim dizia em alto e bom som: "Você pode ficar com qualquer um"... Era a desgraça: meu turno de vovó-no-caritó... Eu que nunca fui lá um mestre em artes de saber perder, protestava aos prantos, até sair da brincadeira ou a brincadeira sair da roda...
O bom é que o repertória era generoso: cantorias, jogo de pedra, barra-bandeira, boi-de-barro, cawboys de plástico, esconde-esconde, banho de açúde, escalada em pedras, helicóptero de sabugo e penas de galinha, bola de meia, chimbra, pular corda, passar o dedo na chama do candeeiro, fazer conchas com as mãos sobre a luz da lamparida só pra ver o vermelho da luz atravessando as articulações dos dedos, pegar vagalume, rodar tição em brasa pra fazer desenhos de luz no breu da noite... e um sem fim de coisinhas de encher a infância de sabor e a vida de marcas.
Por Walderes Brito
Vira-Virou
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Wolney Fernandes
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Cipó - corda de pular
Papel de pão - barquinho pra navegar na enxurrada
Pedaços de madeira - castelo
Pena de galinha - metade da peteca
Palha de milho seco - a outra metade da peteca
Meias velhas - bola pra jogar Queimada
Tampinhas de garrafa – peças pra jogar Dama
Galho da mangueira – cavalinho de pau
Forquilha – perna de pau
Caixa de papelão - carro pra guiar
Latinha de extrato de tomate – biloquê
Talo da folha de mamão – flauta doce
Pedras redondas – peças pra jogar Baliza
Mangas verdes – rebanho bovino
Barbante – cama de gato
Quintal de casa - brinquedoteca
Por Wolney Fernandes
Papel de pão - barquinho pra navegar na enxurrada
Pedaços de madeira - castelo
Pena de galinha - metade da peteca
Palha de milho seco - a outra metade da peteca
Meias velhas - bola pra jogar Queimada
Tampinhas de garrafa – peças pra jogar Dama
Galho da mangueira – cavalinho de pau
Forquilha – perna de pau
Caixa de papelão - carro pra guiar
Latinha de extrato de tomate – biloquê
Talo da folha de mamão – flauta doce
Pedras redondas – peças pra jogar Baliza
Mangas verdes – rebanho bovino
Barbante – cama de gato
Quintal de casa - brinquedoteca
Por Wolney Fernandes
Bibelô de Macular
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Cristiano Casado
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Artigo de luxo, tirado do lixo.
A lata de leite virou espada de guerra: corta
Corta-me.
Cortei-me.
O dia de hoje é bom?
O dia de hoje tem esperança.
E isso é o melhor brinquedo que tenho por ora.
Por Cristiano Casado
A lata de leite virou espada de guerra: corta
Corta-me.
Cortei-me.
O dia de hoje é bom?
O dia de hoje tem esperança.
E isso é o melhor brinquedo que tenho por ora.
Por Cristiano Casado
Psiu!
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Cristiano Casado
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- Psiu!
Seu moço do asfalto,
Escuta aqui!
Olha quanto calo nos dedos
Que o senhor tem.
Sinta o perfume do asfalto
Sob o ruído dos automóveis,
Pretensiosos sobre quatro rodas,
Despejando gás carbônico
Para seus filhos.
- Psiiiiiiiiiiu!
Calo.
Nossos pés calejados
Nossas bocas silenciadas:
Somos plateia desta cidade
Somos a cidade inteira.
Por Cristiano Casado
Seu moço do asfalto,
Escuta aqui!
Olha quanto calo nos dedos
Que o senhor tem.
Sinta o perfume do asfalto
Sob o ruído dos automóveis,
Pretensiosos sobre quatro rodas,
Despejando gás carbônico
Para seus filhos.
- Psiiiiiiiiiiu!
Calo.
Nossos pés calejados
Nossas bocas silenciadas:
Somos plateia desta cidade
Somos a cidade inteira.
Por Cristiano Casado