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Ainda

Dá-me teu beijo rápido
E teu sorriso tímido
Num abraço úmido
Para eu sentir teu cheiro.

Dá-me tua presença discreta
Em frase curta, incompleta
Silêncio roubado de outros tempos.

Dá-me tua ira controlada
Tua cor sóbria
Tua paz, tua dor
Enfim... Dá-me o que for.

Pois de guarda chuva aberto
No sol que ainda queima
Um coração febril teima
Esperar pelo teu amor.

Por Adriano Antunes

No Buraco da Fechadura

[o olho no buraco é tão culpado quanto quem pratica o ato]

Falo dessa chaga
que o povo gosta
dessa praga exposta
da violência e culto ao corpo
que a educação, coitada, não trava
e por efeito oposto
vaga cadeira na fileira
da coerência e do bom gosto.
O povo gosta
e isso não me admira
da rotina alienada
que contamina a retina
promovendo o fútil
eliminando o útil
distorcendo a razão.
Porque o povo gosta
da lama na qual se afunda
da bunda que rebola
da mão que pede esmola
do dedo no gatilho
da arma que atira
e do corpo que apodrece
no meio-fio do dia.
O povo gosta e se entorpece
dos valores e princípios esquece
mais vale ser esperto, é certo,
pois inteligência exige esforço.
O Povo gosta
de lamentar as feridas
que suas mãos manchadas, dedicadas,
esculpiram para si.
Ah! Esse povo gosta!
E nessa ronda desesperada
dou gargalhadas de tristeza
por capricho da natureza
não descarto o fato
de um dia ter sido assim.

Por Adriano Antunes

Visibilidade limitada

* Messier 104 também conhecida como Galáxia de Sombrero ou ainda por NGC4594 é uma galáxia distante 28 milhões de anos luz de nós. O objeto está localizado na constelação da Virgem.

Por Adriano Antunes

Promessas

Na colcha de renda
Branca e engomada
Chorava abafado
O anjo parido.
Era menina promessa
Que em Divina ciranda
Entrara na roda da vida
Com olhos fechados de medo.
Fez corpo, pintou o rosto
Virou moça faceira
De peitos fagueiros
A desafiar a blusa de seda.
Entre contrações e gemidos
Expondo seu ventre ao mundo
Deu passagem ao rebento
De destino incerto, duvidoso.
Mas hoje, na cadeira de balanço
Recorda o caminho imposto
Qual diálogo sozinho
Que o tempo imperioso
Impunha aos olhos cansados.

Por Adriano Antunes

Desdobramentos

Ruga na testa [...] Raiva, dúvida, espanto

Bainha da calça [...] Medida de crescimento, cofre de poeira, alinhavo

Dobradiça de porta [...] Suporte borboleta, poder de soltura, barulho

Prega de saia [...] Camadas de mistério, dança de mostra-esconde, desejo

Aba de envelope [...] Porta para a saudade, enlevo

Joelhos na Missa [...] Ofertas interessadas, desculpas tardias, pecado

Degraus de escada [...] Elevação física, ascensão humana, esforço

Tempo/Espaço [...] Uni-verso sem/com sentimento, dobra-se à próprio gosto.


Por Adriano Antunes

Luto

Por Adriano Antunes

Embriaguez

Por Adriano Antunes

Quando o passado não passa

Por Adriano Antunes

Patchwork Dream

Por Adriano Antunes

Palafita

Por Adriano Antunes

Brincadeira

Por Adriano Antunes

Meninas Chinesas

Por Adriano Antunes

Eu, só teu!

Ao te ver assim
Deitada de ti e inundada de mim
Festejo um encontro de almas.

Na calma da cama em chamas,
Me amas.

E eu completo, satisfeito
Adormeço orvalhado
Para acordar sereno.

Por Adriano Antunes

Estreia

No meu jogo de cena
Aposto em qualquer lado
Pois nos meus dados
Todos os lados são iguais.

Encarno Macbeth por um minuto
Otelo, no outro, absoluto
Para delírio dos mortais.

Recito meias verdades
Disparates de vaidade
Sou ator sem luz, sem trilha, sem direção.

E nesse teatro vazio
De camarim sem estrela
Minha roupa de Julieta
Amarelou, rasgou, puiu.

(...)

E assim tem sido até o próximo ato.


Por Adriano Antunes

Em espera

Caixa Preta

Por Adriano Antunes

Desapego

Por Adriano Antunes

N. Sra. dos Calafrios


Por Adriano Antunes

Vanity Fair

Por Adriano Antunes

Exuber-ânsia

Por Adriano Antunes