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"Eu, filho do carbono e do amoníaco" *
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Walderes Brito
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Primeiro era um ponto branco, na amídala esquerda... Tenho certeza, porque minhas encrencas de saúde são sempre do lado direito (até as infecções de garganta). Um tantinho de água a mais, mel, frauda no pescoço na hora de dormir (um espetáculo com o meu pijama azul de decote em "V"!!!). Achei que não passarai disso. Ledo engano: o ponto branco se multiplicou por três; o branco evoluiu para dourado; mais dois dias e a voz sumiu, enquanto uma torneira de pus foi aberta mais ou menos na altura do terceiro olho, com canalização direta para as narinas e, se deitado, com desvio para a goela e estômago. Mais um pouco e a febre pontualíssima, de meio-dia para a tarde, fritava o pus que era expulso do nariz, a partir de então, em tamanho e ares de panqueca. Tudo isso antes de começar a tosse, daquelas miúdas, sem catarro e sem trégua. Tosse de cachorro, das que matam de raiva e de sono. Sim, porque você é obrigado a virar a noite sentado na cama, brincando de "estátua". Nesse embalo pensei muito, mas nada consegui escrever sobre impureza.
Por Walderes Brito
(*) Do poema de Augusto dos Anjos
Por Walderes Brito
(*) Do poema de Augusto dos Anjos
Desta Água Nunca Beberei?
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Cristiano Casado
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Por Cristiano Casado
Mácula
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Adriano Antunes
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Mesa de bar.
Uma vida que escorregou dos trilhos.
Ele estabelecia prioridades apontadas em um bloco de notas que chegava ao fim.
Muito das notações ali contidas nunca chegariam à realidade.
Talvez aquela folha em branco preenchida com esforço seria esquecida, como as outras tantas; ou talvez não.
Um cigarro, um café e milhares de pensamentos.
Helena surgiu deslizando em passos mudos e olhar inquieto, duvidoso.
Ao se aproximar, educada, interrompeu as confusas anotações questionando se ele, por acaso, seria Carlos, um amigo querido que há muitos anos não via e de quem sentia saudades.
Queria um abraço antes de partir.
Ele, com olhos pálidos, fez com a cabeça que não.
Mesmo depois da insistência da jovem continuou afirmando que se tratava de Rodrigo e que não sabia quem seria este tal Carlos.
Ela, decepcionada, olhava para o moço com a certeza de ver Carlos. Reconhecia o riso, os gestos, o movimento sincronizado das sobrancelhas e o velho cacoete de estalar os dedos.
Poderia jurar.
Ele desculpava-se incessantemente, mas negava ser quem ela esperava rever.
Helena, em pé, ele nem ousou levantar-se, enumerou amigos em comum, situações vividas juntos, antigos ambientes de trabalho.
Ele, irredutível, negou conhecimento.
Helena tinha certeza absoluta.
Não estava tão louca a ponto de não reconhecer um amigo íntimo.
Mas o que não compreendia era o porquê de ele insistir em não reconhecê-la.
Por que fazia aquilo com ela, logo ela que o gostava tanto?
Os olhos dele suplicaram pela partida de Helena, mas sua postura de gelo, estática e fria, expulsou-a ferozmente.
Então, com olhos marejados, Helena disse que provavelmente havia se enganado, que queria apenas dar um abraço no amigo querido antes de partir e que estava impressionada com a inacreditável semelhança entre os dois.
Tentou insinuar que ele estava mentindo, brincando, em um sorriso nervoso de esperança.
Mas ele negou pela terceira vez antes de ela se ir.
Helena, transtornada, segurou nervosa sua bolsa e virou-lhe as costas, partindo de cabeça baixa porta a fora, essa, a única a escutar seus soluços.
Carlos respirou fundo, suas mãos trêmulas tocaram o copo de água que refletia dedos distorcidos, tentáculos enegrecidos.
Um peso gigantesco comprimiu seu peito.
Percorreu estranho formigamento em suas veias.
Não respondeu ao chamado da garçonete que tentava atrair sua atenção para a porção de pães de queijo que demoraram além da conta, mas que vieram com bônus de três, cortesia da casa.
Carlos sentiu ânsia.
Ânsia de correr atrás de Helena e dizer que foi apenas uma brincadeira de mau gosto.
Ânsia de tirar aquele sentimento de perversidade de dentro de si.
Ânsia de vômito pelo que havia feito.
Uma estúpida tentativa de provar a si mesmo que poderia manipular; dissimular, ferir e não sentir culpa.
Foi destroçado em sua estrutura demasiado frágil para aguentar as consequências de tais atos.
Sabia que não mais a veria.
Torturava-se a imaginar que Helena sofria questionando sua amizade, sua integridade,
sua sinceridade.
Partiu partido.
Certo de que jamais seria o mesmo.
Mesmo que tentasse consertar tudo, permaneceria para sempre (...)
Impuro (...)
E Helena não o defenderia se um dia precisasse.
Por certo não.
(.)
Por Adriano Antunes
Uma vida que escorregou dos trilhos.
Ele estabelecia prioridades apontadas em um bloco de notas que chegava ao fim.
Muito das notações ali contidas nunca chegariam à realidade.
Talvez aquela folha em branco preenchida com esforço seria esquecida, como as outras tantas; ou talvez não.
Um cigarro, um café e milhares de pensamentos.
Helena surgiu deslizando em passos mudos e olhar inquieto, duvidoso.
Ao se aproximar, educada, interrompeu as confusas anotações questionando se ele, por acaso, seria Carlos, um amigo querido que há muitos anos não via e de quem sentia saudades.
Queria um abraço antes de partir.
Ele, com olhos pálidos, fez com a cabeça que não.
Mesmo depois da insistência da jovem continuou afirmando que se tratava de Rodrigo e que não sabia quem seria este tal Carlos.
Ela, decepcionada, olhava para o moço com a certeza de ver Carlos. Reconhecia o riso, os gestos, o movimento sincronizado das sobrancelhas e o velho cacoete de estalar os dedos.
Poderia jurar.
Ele desculpava-se incessantemente, mas negava ser quem ela esperava rever.
Helena, em pé, ele nem ousou levantar-se, enumerou amigos em comum, situações vividas juntos, antigos ambientes de trabalho.
Ele, irredutível, negou conhecimento.
Helena tinha certeza absoluta.
Não estava tão louca a ponto de não reconhecer um amigo íntimo.
Mas o que não compreendia era o porquê de ele insistir em não reconhecê-la.
Por que fazia aquilo com ela, logo ela que o gostava tanto?
Os olhos dele suplicaram pela partida de Helena, mas sua postura de gelo, estática e fria, expulsou-a ferozmente.
Então, com olhos marejados, Helena disse que provavelmente havia se enganado, que queria apenas dar um abraço no amigo querido antes de partir e que estava impressionada com a inacreditável semelhança entre os dois.
Tentou insinuar que ele estava mentindo, brincando, em um sorriso nervoso de esperança.
Mas ele negou pela terceira vez antes de ela se ir.
Helena, transtornada, segurou nervosa sua bolsa e virou-lhe as costas, partindo de cabeça baixa porta a fora, essa, a única a escutar seus soluços.
Carlos respirou fundo, suas mãos trêmulas tocaram o copo de água que refletia dedos distorcidos, tentáculos enegrecidos.
Um peso gigantesco comprimiu seu peito.
Percorreu estranho formigamento em suas veias.
Não respondeu ao chamado da garçonete que tentava atrair sua atenção para a porção de pães de queijo que demoraram além da conta, mas que vieram com bônus de três, cortesia da casa.
Carlos sentiu ânsia.
Ânsia de correr atrás de Helena e dizer que foi apenas uma brincadeira de mau gosto.
Ânsia de tirar aquele sentimento de perversidade de dentro de si.
Ânsia de vômito pelo que havia feito.
Uma estúpida tentativa de provar a si mesmo que poderia manipular; dissimular, ferir e não sentir culpa.
Foi destroçado em sua estrutura demasiado frágil para aguentar as consequências de tais atos.
Sabia que não mais a veria.
Torturava-se a imaginar que Helena sofria questionando sua amizade, sua integridade,
sua sinceridade.
Partiu partido.
Certo de que jamais seria o mesmo.
Mesmo que tentasse consertar tudo, permaneceria para sempre (...)
Impuro (...)
E Helena não o defenderia se um dia precisasse.
Por certo não.
(.)
Por Adriano Antunes



