Mostrando postagens com marcador *GOSTO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador *GOSTO. Mostrar todas as postagens

A língua - o mundo - a língua do gosto do mundo

Por Cristian Mossi

Nos lábios

Por Adriano Antunes

Eu, agridoce

Por Wolney Fernandes

Há gosto que gosto

Por Cristiano Casado

Gosto QCV

Por Odailso Berté

Doce deleite Arcimbolesco

Por Rosi Martins

Das bandas de cá

Por Laila Loddi

Gosto meu!

Gosto é um híbrido de cachorro acanhado e cavalo sem cabresto. Alguns abanam o rabo, com olhos melados, enquanto se enroscam em nossas pernas, sem chances de escapatória: hábitos, cheiros, sabores, costumes que, se a gente abandona no almoço, à noite parece que o dia foi inexplicavelmente esquisito. Há gostos, especialmente de comidas, que não suportam indagação: que gosto tem a peta, o sagu e o cuscuz? Pergunta ofensiva, independente do tom e da intencionalidade do intrometido.

Não adianta dizer para um goiano que peta tem sabor de isopor lambrecado em banha de porco; muito menos contar para um gaúcho que sagu é algo como bolinhas de cola caseira feita com fécula de mandioca, em cor e calda bordeau; perigoso mesmo é dizer para um nordestino que cuscuz tem cheiro ótimo e gosto de "palha seca"... O gosto dessas e de muitas outras comidinhas está no inacessível e incompartilhável da memória dos afetos e do bem-querer: gosto de casa de vó; gosto de tempero de mãe; cheiro de infância; sabor de antigamente... E por aí vai.

Na redondeza do inacessível também está o gosto da gente por gente. Quando aquele jeito insuportável em qualquer uma não é suficiente para nos afastar de uma pessoa em particular, atenção! Capaz da gente tá gostando da criatura. E quando a gente tem vontade de fazer (ou quando vê até já fez!!!) coisas antes feias, nojentinhas ou proibidíssimas em nosso manual de etiqueta sexual, aí não tem mais dúvida: estamos entregues ao gosto pela pessoa ou, às vezes, só gosto por safadezas mesmo.

Por Walderes Brito